Setembro Amarelo · Valorização da Vida · Psicologia

💛 Setembro Amarelo

Quando a esperança desaparece, a escuta pode abrir um caminho
📅 Setembro — Mês de conscientização 🎗️ Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio — 10 de setembro 💛 Lema 2026: "Escutar é estar presente"
🎗️
💛 Laço Amarelo Símbolo da campanha de valorização da vida Prevenção ao suicídio · Setembro Amarelo

Maria Rocha Pesce | Psicóloga

Por que falar sobre suicídio?

Falar sobre suicídio ainda provoca:

  • medo
  • silêncio
  • desconforto
  • insegurança

"E se eu não souber o que fazer?"

Falar sobre prevenção é também aprender a não permanecer em silêncio diante do sofrimento.

Talvez o nosso maior medo seja este

"E se alguém perder a esperança e eu não souber como ajudar?"

Você não precisa saber resolver a dor de alguém.

Precisa aprender a:

  • PERCEBER
  • APROXIMAR
  • ESCUTAR
  • ACOLHER
  • CONECTAR

Por que existe o Setembro Amarelo?

O Dia Mundial de Prevenção do Suicídio é celebrado em 10 de setembro.

No Brasil, o Setembro Amarelo foi criado em 2015 como uma campanha de conscientização e prevenção.

A campanha ajuda a abrir uma conversa que muitas vezes não acontece.

Falar sobre suicídio não é incentivar o suicídio. É criar espaço para prevenção.

Por que amarelo?

A escolha do amarelo está relacionada à história de Mike Emme, jovem norte-americano que morreu por suicídio em 1994.

Ele era conhecido por restaurar um Mustang amarelo.

Depois de sua morte, familiares e amigos distribuíram cartões amarelos com mensagens de apoio.

A história ajudou a inspirar a campanha.

Setembro Amarelo 2026

ESCUTAR É ESTAR PRESENTE

Para o CVV, o tema de 2026 reforça uma ideia simples:

"Uma escuta acolhedora pode ser o primeiro passo para que alguém em sofrimento encontre apoio e não enfrente esse momento sozinho."

O tamanho do problema

🌍 Mais de 720 mil

pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo.

📊 Para cada morte

existem muitas outras tentativas.

🧑‍🤝‍🧑 3ª principal causa

O suicídio é a 3ª principal causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos.

E nossos adolescentes?

📊 18,5%

dos estudantes brasileiros de 13 a 17 anos disseram ter sentido que a vida não valia a pena ser vivida nos 30 dias anteriores à pesquisa.

📊 32%

relataram ter sentido vontade de se machucar de propósito nos 12 meses anteriores.

Esses indicadores não significam que todos tenham ideação suicida ou tenham tentado suicídio. Eles mostram a dimensão do sofrimento e da autolesão entre adolescentes.

Uma frase que precisa nos fazer parar

"Ninguém se importa comigo."

Entre adolescentes brasileiros de 13 a 17 anos, 26,1% relataram sentir, na maioria das vezes ou sempre, que ninguém se preocupa com eles.

Às vezes, o que parece "distância" pode ser uma experiência de desamparo.

Por trás de cada número...

Existe:

  • uma história
  • uma família
  • um sonho
  • uma perda
  • uma relação
  • uma dor

O comportamento é visível. A história, muitas vezes, não.

Não existe uma única causa

O comportamento suicida é multifatorial.

Podem interagir fatores:

  • psicológicos
  • sociais
  • relacionais
  • biológicos
  • ambientais
  • econômicos

Um único acontecimento raramente explica toda a história.

Formas de desespero

O sofrimento pode ser agravado por diferentes contextos:

  • solidão e isolamento
  • violência e abuso
  • rupturas e rejeição
  • pressão e fracasso percebido
  • assédio e sofrimento no trabalho
  • doença e dor crônica
  • dívidas e problemas financeiros
  • apostas online
  • cyberbullying e violência digital
  • perdas e crises

Transtorno do jogo e suicídio

As apostas online podem se tornar problemáticas quando a pessoa:

  • perde o controle;
  • aposta mais do que planejava;
  • tenta recuperar perdas;
  • compromete o orçamento;
  • esconde o comportamento;
  • apresenta prejuízos nas relações e no trabalho.

O Ministério da Saúde alerta para impactos financeiros, emocionais, familiares e sociais relacionados ao uso problemático das apostas.

O ciclo do endividamento

APOSTA
PERDA
"PRECISO RECUPERAR"
NOVA APOSTA
DÍVIDA
VERGONHA
ISOLAMENTO
DESESPERANÇA

Quando a pessoa passa a acreditar que não existe saída, o problema financeiro pode se transformar em uma crise emocional.

E no trabalho?

O sofrimento pode aparecer em contextos como:

  • sobrecarga
  • assédio
  • violência
  • insegurança
  • falta de apoio
  • conflitos
  • isolamento

Saúde mental também depende das condições em que vivemos e trabalhamos.

E quando quem está sofrendo é nosso filho?

Adolescentes também podem enfrentar:

  • bullying
  • cyberbullying
  • solidão
  • rejeição
  • violência
  • pressão escolar
  • conflitos familiares
  • rupturas
  • exposição digital
  • medo do futuro

Nem todo adolescente que sofre está tentando chamar atenção.

Alguns estão tentando suportar algo que ainda não sabem como contar.

Dor → Desamparo → Desesperança → Desalento

DOR
"Isso está doendo."
DESAMPARO
"Estou sofrendo e não tenho com quem contar."
DESESPERANÇA
"Não acredito que isso possa mudar."
DESALENTO
"Não tenho mais ânimo para continuar tentando."

Essa não é uma sequência obrigatória. É uma forma de compreender como o sofrimento pode se aprofundar.

Quando a esperança desaparece

"Já tive esperança em acreditar em mim, no meu sonho. Hoje em dia não acredito tanto. Me sinto capaz às vezes, mas não tenho esperança." Relato de paciente jovem em acompanhamento psicológico.

Por trás dessa frase existe uma história

Sonhos
Frustrações
Solidão
Desamparo
Perda de sentido
Desesperança

Conhecer a história muda a forma como enxergamos a pessoa.

Capacidade não é o mesmo que esperança

Uma pessoa pode:

  • ter talentos
  • ter projetos
  • ser inteligente
  • ser capaz
  • ter pessoas que a amam
e ainda assim pensar:
"Eu não acredito mais que as coisas possam mudar."

Quando o futuro encolhe

Em sofrimento intenso, a pessoa pode começar a enxergar:

  • um problema como permanente
  • uma situação como sem saída
  • uma alternativa extrema como a única alternativa possível

A prevenção precisa ajudar a ampliar novamente as possibilidades.

A gente só conhece uma pessoa...

...se conhecer a sua história.

O comportamento pode nos mostrar o que a pessoa faz.

A escuta nos permite descobrir:

  • o que ela viveu
  • o que ela perdeu
  • o que ela espera
  • o que ela teme
  • como ela se sente

Comunicação real

Escutar é diferente de interpretar.

Antes de concluir: pergunte.

Antes de julgar: compreenda.

Antes de aconselhar: escute.

Antes de contar a sua história: conheça a história do outro.

Interesse genuíno

Escutar não é apenas perguntar:

"Você está bem?"

É demonstrar interesse suficiente para descobrir:

"Como você está, de verdade?"

Perguntas que abrem espaço:

  • "O que tem sido mais difícil para você?"
  • "Como você tem se sentido ultimamente?"
  • "Tem alguma coisa acontecendo que você não está conseguindo contar?"

Conexão não é dizer "eu sei o que você está sentindo"

Podemos usar nossas experiências para criar proximidade.

Mas:

"Eu já vivi algo parecido"

não significa

"Eu sei exatamente o que você sente."

Uma boa conexão diz:

"Eu já passei por algo difícil, mas quero entender como isso está sendo para você."

Sinais que merecem atenção

Mudanças importantes podem aparecer como:

  • isolamento
  • desesperança
  • perda de interesse
  • falas sobre morte ou desaparecimento
  • sentir-se um peso
  • despedidas
  • autolesão
  • comportamentos de risco
  • uso problemático de álcool ou outras drogas

Um sinal isolado não explica tudo. Contexto importa.

Posso perguntar?

SIM.

Perguntar diretamente sobre suicídio não coloca a ideia na cabeça da pessoa.

Pode abrir espaço para que ela fale sobre aquilo que estava vivendo em silêncio.

Você pode dizer:

  • "Percebi que você não está bem."
  • "Quero entender como você está."
  • "Você está pensando em se machucar ou em tirar a própria vida?"

O que fazer?

🔍 PERCEBA

Observe mudanças.

🤝 APROXIME-SE

Demonstre preocupação.

💬 PERGUNTE

Não tenha medo de abordar.

👂 ESCUTE

Sem julgamento.

🔗 CONECTE

Ajude a pessoa a chegar ao cuidado adequado.

Você não precisa resolver sozinho.

O que não ajuda

  • "Você tem tudo para ser feliz."
  • "Pense na sua família."
  • "Todo mundo tem problemas."
  • "Você precisa reagir."
  • "Isso é só uma fase."
  • "Você precisa ser forte."

Em vez disso:

  • "Eu estou aqui."
  • "Quero entender."
  • "Eu levo o que você está sentindo a sério."
  • "Vamos procurar ajuda."

Quando há risco imediato

A prioridade é proteger.

  • Não deixe a pessoa sozinha.
  • Procure ajuda imediatamente.

Acione também pessoas da rede de apoio.

No trabalho, qual é o nosso papel?

Você não precisa:

  • diagnosticar
  • tratar
  • investigar
  • resolver

Você pode:

  • PERCEBER
  • CONVERSAR
  • ESCUTAR
  • ENCAMINHAR

Um colega pode não contar tudo.

Mas pode dar sinais de que precisa de alguém.

E em casa?

Talvez a pessoa que precise de você seja:
  • seu filho
  • seu companheiro
  • seu irmão
  • seu pai ou sua mãe
  • um amigo

Não espere uma crise para começar a conversar.

Um exercício para levar com você

Pense em uma pessoa que você conhece...

...mas cuja história conhece pouco.

Pode ser:

  • do trabalho
  • da família
  • da sua vida

Pergunte:

"O que eu ainda não sei sobre essa pessoa?"

E depois: converse.

Não para aconselhar. Não para corrigir. Para conhecer.

Escreva uma carta

Depois de ouvir essa pessoa, escreva um pequeno texto.

Você pode começar:

"Depois de ouvir sua história, percebi..."

ou

"Uma coisa que quero que você saiba é..."

E deixe uma mensagem:

"Eu me importo com você."

Entregue a carta.

Esperança

Esperança não significa acreditar que:

"Tudo vai dar certo."

Talvez esperança seja conseguir acreditar que:

"Alguma coisa ainda pode mudar."

E quando alguém não consegue enxergar isso sozinho...

podemos oferecer presença enquanto ele recupera a possibilidade de enxergar novos caminhos.

Valorizar a vida é...

Não é dizer:

"A vida é maravilhosa."

É ajudar alguém a encontrar:

  • um motivo para permanecer hoje
  • uma pessoa para conversar
  • um lugar de acolhimento
  • um tratamento
  • um próximo passo

Uma possibilidade.

Setembro não termina em setembro

A campanha acontece em setembro.

A prevenção acontece todos os dias.

  • na família
  • no trabalho
  • nas amizades
  • na escola
  • nas relações

Escuta também é prevenção.

E se você fosse a pessoa que percebeu?

Talvez você não consiga resolver a dor de alguém.

Mas pode:

  • perceber
  • perguntar
  • escutar
  • acolher
  • ajudar

Quando a esperança desaparece...

A ESCUTA PODE ABRIR UM CAMINHO.

Escutar é estar presente.

Estar presente também é uma forma de cuidar.

Rede de ajuda

📞 CVV

188

Atendimento gratuito e 24 horas.

🚑 SAMU

192

Em situações de emergência.

🏥 CAPS

Rede pública de atenção à saúde mental.

🏛️ UBS / serviços de saúde

Porta de entrada para cuidado e encaminhamento.

Em uma situação de risco imediato, procure atendimento de emergência.

A OMS recomenda apoio oportuno e medidas de proteção para reduzir o risco; o acesso a cuidados adequados é parte essencial da prevenção.

Você não precisa saber salvar alguém.

Precisa saber se aproximar.

Perceber.

Perguntar.

Escutar.

Acolher.

Conectar.

Quando a esperança desaparece,
a escuta pode abrir um caminho.

Maria Rocha Pesce | Psicóloga

📚 Fontes e referências

  • OMS — Organização Mundial da Saúde. Dados sobre suicídio e prevenção.
  • IBGE/PeNSE — Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar. Indicadores de saúde mental e autolesão em adolescentes brasileiros.
  • Ministério da Saúde — Alertas sobre impactos financeiros, emocionais, familiares e sociais relacionados ao uso problemático de apostas online.
  • CVV — Centro de Valorização da Vida. Tema do Setembro Amarelo 2026: "Escutar é estar presente".
  • OMS — Recomendações sobre apoio oportuno, medidas de proteção e acesso a cuidados adequados como parte essencial da prevenção.
💛 Setembro Amarelo — Valorização da Vida · Prevenção ao suicídio
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