Organização do Trabalho, Sofrimento Psíquico e Saúde Mental · Aula 6

🧠 Organização do Trabalho,
Sofrimento Psíquico e Saúde Mental

Psicologia, Direitos Humanos e Trabalho
📘 Prática de Extensão — Direitos Humanos, Justiça e Trabalho 📅 AULA 6 — 15 de setembro de 2026

🗺️ Onde estamos no nosso percurso?

Do direito ao trabalho à saúde mental

Aula 4 — Justiça social, exclusão e vulnerabilidades
↓ Aula 5 — Trabalho, identidade e subjetividade
↓ Aula 6 — Organização do trabalho, sofrimento psíquico e saúde mental
↓ Aula 7 — Saúde mental relacionada ao trabalho, fatores psicossociais e prevenção
↓ Aula 9 — NR-1, riscos psicossociais e atuação da Psicologia

🔄 Retomando a aula anterior

Na Aula 5, vimos que o trabalho:

  • não é apenas fonte de renda;
  • participa da construção da identidade;
  • participa da constituição da subjetividade;
  • envolve relações sociais;
  • mobiliza corpo, inteligência e afetos;
  • pode ampliar ou restringir possibilidades de realização.
O que acontece quando a forma como o trabalho é organizado entra em conflito com quem trabalha?

🤔 Uma pergunta para começar

Imagine duas pessoas exercendo a mesma profissão.

Uma trabalha em um ambiente com:

  • autonomia;
  • reconhecimento;
  • cooperação;
  • recursos adequados;
  • possibilidade de diálogo.

A outra trabalha com:

  • controle permanente;
  • metas impossíveis;
  • competição;
  • insegurança;
  • falta de reconhecimento.
O trabalho será vivido da mesma maneira?

📌 Não é apenas o "tipo de trabalho"

Quando pensamos em saúde mental relacionada ao trabalho, não basta perguntar:

"Qual é a profissão?"

Precisamos perguntar:

"Como esse trabalho está organizado?"

A organização do trabalho pode modificar profundamente a experiência de quem trabalha.

🎯 A questão central da aula

Como a organização do trabalho participa da produção do sofrimento psíquico?

Para responder, vamos percorrer:

organização do trabalho
↓ trabalho prescrito × trabalho real
↓ experiência do trabalhador
↓ sofrimento
↓ estratégias defensivas
↓ cooperação e reconhecimento
↓ saúde mental
═══ PARTE I — O QUE É ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO? ═══

🔧 Trabalhar não é apenas executar uma tarefa

Todo trabalho possui algum nível de:

  • prescrição;
  • regras;
  • procedimentos;
  • horários;
  • metas;
  • responsabilidades;
  • divisão de tarefas.

Mas aquilo que foi planejado nunca corresponde completamente ao que acontece na realidade.

📋 Trabalho prescrito

O trabalho como deveria ser realizado

Inclui:

  • normas;
  • protocolos;
  • procedimentos;
  • metas;
  • horários;
  • regras;
  • equipamentos previstos;
  • responsabilidades definidas.

É a dimensão planejada e formalizada do trabalho.

⚡ Trabalho real

O trabalho como efetivamente acontece

Na realidade aparecem:

  • imprevistos;
  • falhas;
  • urgências;
  • limitações;
  • contradições;
  • necessidades das pessoas;
  • problemas que não estavam previstos.

O trabalhador precisa encontrar maneiras de realizar a atividade apesar dessas diferenças.

📏 A distância entre o prescrito e o real

O trabalho real nunca é simplesmente a execução automática do trabalho prescrito.

Entre aquilo que foi planejado e aquilo que acontece existe um espaço que precisa ser preenchido pelo trabalhador.

É nesse espaço que aparecem:

  • experiência;
  • inteligência;
  • criatividade;
  • julgamento;
  • adaptação;
  • decisões.

❓ Quem resolve os imprevistos?

Quando o protocolo não dá conta da realidade, alguém precisa decidir:

"O que faço agora?"

Essa decisão mobiliza conhecimentos que muitas vezes:

  • não estão escritos;
  • não aparecem nos manuais;
  • não são facilmente mensuráveis;
  • são adquiridos pela experiência.

👁️ O trabalho invisível

Nem tudo o que é necessário para realizar um bom trabalho aparece no resultado final.

Existe um conjunto de:

  • decisões;
  • tentativas;
  • adaptações;
  • antecipações;
  • esforços;
  • cooperações;
  • renúncias.

O resultado pode parecer simples.

O trabalho necessário para produzi-lo pode não ser.

🏗️ Organização do trabalho é mais do que dividir tarefas

A organização do trabalho envolve também:

  • ritmo;
  • tempo;
  • hierarquia;
  • controle;
  • avaliação;
  • distribuição de responsabilidades;
  • relações de poder;
  • formas de reconhecimento;
  • possibilidades de cooperação.

⚡ Organização do trabalho e relações de poder

Quem define:

  • o que deve ser feito?
  • como deve ser feito?
  • em quanto tempo?
  • com quais recursos?
  • como será avaliado?
  • quem será responsabilizado?

Essas decisões não são neutras.

Elas expressam determinada forma de organizar as relações de trabalho.

═══ PARTE II — DEJOURS: QUE SOFRIMENTO? ═══

📖 Christophe Dejours

Psicodinâmica do Trabalho

Dejours desloca nossa atenção:

Não apenas: "O trabalhador está adoecido?"

Mas também: "Como a relação entre trabalhador e organização do trabalho produz sofrimento?"

💭 Por que falar em sofrimento?

O sofrimento aparece quando o sujeito se confronta com algo que:

  • resiste;
  • frustra;
  • limita;
  • impede;
  • contradiz suas expectativas ou possibilidades de agir.

O sofrimento, portanto, não pode ser compreendido apenas como uma característica individual.

🧱 O real do trabalho resiste

O trabalhador pode descobrir que:

"Fazer exatamente como está previsto não é suficiente para que o trabalho aconteça."

A realidade exige respostas. E essas respostas mobilizam o sujeito.

🔄 Sofrimento e mobilização

O sofrimento não significa automaticamente doença.

Ele pode constituir um ponto de partida para:

  • pensar;
  • criar;
  • buscar soluções;
  • desenvolver estratégias;
  • transformar a situação.

O problema surge quando as possibilidades de ação são bloqueadas.

⚠️ Quando o sofrimento se torna patogênico?

Quando o trabalhador:

  • não consegue transformar a situação;
  • não encontra espaço para agir;
  • não consegue utilizar sua inteligência;
  • não encontra reconhecimento;
  • permanece submetido a contradições sem possibilidade de negociação.

O sofrimento pode deixar de ser mobilizador e assumir caráter patogênico.

🧑‍🔧 O trabalhador não é passivo

Uma contribuição importante de Dejours é compreender que o trabalhador:

  • interpreta;
  • inventa;
  • adapta;
  • cria;
  • negocia;
  • coopera;
  • desenvolve estratégias.

Trabalhar é também encontrar maneiras de enfrentar o real.

🧠 O corpo também trabalha

O trabalho mobiliza:

  • corpo;
  • percepção;
  • experiência;
  • inteligência prática;
  • sensibilidade;
  • afetos.

A competência profissional não está apenas no conhecimento formal.

Ela também se constrói na experiência de trabalhar.

🔄 Trabalho e subjetividade

O trabalho pode AMPLIAR

  • autonomia;
  • competência;
  • pertencimento;
  • reconhecimento;
  • possibilidades de realização.

Ou RESTRINGIR

  • autonomia;
  • criatividade;
  • poder de agir;
  • reconhecimento;
  • sentido.

🌱 O trabalho transforma quem trabalha

Trabalhar não significa apenas produzir alguma coisa.

Também significa: transformar-se na relação com aquilo que se faz.

Por isso, compreender o trabalho é também compreender processos de subjetivação.

═══ PARTE III — QUE SOFRIMENTO? ═══

🩺 Sofrimento não é sinônimo de transtorno mental

Precisamos diferenciar:

SOFRIMENTO PSÍQUICO

TRANSTORNO MENTAL

O sofrimento pode existir sem configurar um diagnóstico.

E um diagnóstico, por sua vez, não permite concluir sozinho que sua origem esteja no trabalho.

⚖️ Evitando o reducionismo

Diante de um trabalhador que sofre, duas respostas simplificadoras são possíveis:

Reducionismo individual

"O problema está na pessoa."

Reducionismo organizacional

"O problema está exclusivamente na empresa."

A perspectiva psicossocial procura compreender: a relação entre sujeito, atividade, organização e contexto.

🔄 Mudando a pergunta

Em vez de perguntar somente:

"O que há de errado com esse trabalhador?"

perguntamos também:

"O que está acontecendo com esse trabalhador no trabalho?"

E ainda: "Quais condições estão participando dessa experiência?"

💪 Sofrimento e possibilidade de agir

O trabalhador consegue agir sobre aquilo que o faz sofrer?

Quando existe possibilidade de:

  • dialogar;
  • negociar;
  • adaptar;
  • cooperar;
  • participar;
  • transformar;

o sofrimento pode assumir outra dinâmica.

🚫 Quando não há espaço para agir

Se a pessoa:

  • percebe o problema;
  • identifica a dificuldade;
  • sabe que algo precisa mudar;

mas não possui meios para agir, pode surgir uma experiência de impotência.

Sofrer sem possibilidade de transformação tende a produzir desgaste.

═══ PARTE IV — ESTRATÉGIAS DEFENSIVAS ═══

🛡️ Como as pessoas continuam trabalhando?

Se o trabalho pode produzir sofrimento, surge uma pergunta:

Como os trabalhadores conseguem continuar trabalhando?

Dejours ajuda a compreender o papel das estratégias defensivas.

🛡️ Estratégias defensivas

São formas construídas para lidar com situações que produzem sofrimento.

Podem permitir:

  • suportar determinada situação;
  • preservar o funcionamento psíquico;
  • continuar realizando o trabalho;
  • reduzir temporariamente a tensão.

⚠️ Defesa não é necessariamente solução

Uma estratégia defensiva pode proteger o trabalhador.

Mas também pode:

  • mascarar o sofrimento;
  • naturalizar condições inadequadas;
  • impedir a percepção do problema;
  • dificultar sua transformação.

Aliviar o sofrimento não significa necessariamente transformar aquilo que o produz.

🤝 O coletivo importa

O sofrimento no trabalho não é apenas uma experiência individual.

Os trabalhadores constroem:

  • formas de cooperação;
  • regras compartilhadas;
  • estratégias coletivas;
  • maneiras de enfrentar dificuldades.

O coletivo pode funcionar como proteção.

💔 Quando o coletivo se fragiliza

Quando predominam:

  • competição permanente;
  • individualização;
  • isolamento;
  • avaliação individual;
  • insegurança;
  • desconfiança;

podem se enfraquecer:

  • solidariedade;
  • cooperação;
  • pertencimento;
  • reconhecimento.

❓ Uma pergunta provocadora

Resistir significa necessariamente estar saudável?

Uma pessoa pode:

  • continuar trabalhando;
  • cumprir metas;
  • não reclamar;
  • parecer adaptada;

e ainda assim estar vivendo intenso sofrimento.

🔄 Adaptação ou transformação?

Uma pergunta importante para a Psicologia:

Precisamos apenas ajudar o trabalhador a suportar melhor o trabalho ou também pensar sobre as condições que estão produzindo seu sofrimento?

Essa pergunta será fundamental para nossa prática extensionista.

═══ PARTE V — RECONHECIMENTO, COOPERAÇÃO E SAÚDE MENTAL ═══

🏆 O papel do reconhecimento

O trabalho realizado nem sempre é completamente visível.

O reconhecimento permite que aquilo que foi efetivamente realizado seja:

  • percebido;
  • valorizado;
  • reconhecido pelos outros.

🌟 Reconhecimento não é apenas elogio

Reconhecimento envolve também:

  • perceber a contribuição;
  • reconhecer competência;
  • reconhecer pertencimento;
  • reconhecer o esforço;
  • reconhecer o valor do trabalho realizado.

🤝 Cooperação

Cooperar não significa simplesmente "trabalhar junto".

Envolve:

  • confiança;
  • regras compartilhadas;
  • negociação;
  • reconhecimento;
  • possibilidade de diálogo.

O coletivo também organiza o trabalho.

✅ Quando a cooperação funciona

O trabalhador pode encontrar:

  • apoio;
  • pertencimento;
  • troca de experiências;
  • reconhecimento;
  • possibilidade de aprender;
  • possibilidade de construir soluções.

Esses elementos podem atuar como fatores de proteção.

⚠️ Quando a organização produz isolamento

individualização
↓ competição
↓ isolamento
↓ fragilização do coletivo
↓ maior dificuldade de enfrentamento
↓ sofrimento
═══ PARTE VI — ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO E SAÚDE MENTAL ═══

⚠️ O que pode participar da produção do sofrimento?

Entre outros elementos:

  • sobrecarga;
  • ritmo excessivo;
  • falta de autonomia;
  • controle excessivo;
  • insegurança;
  • violência;
  • assédio;
  • conflitos;
  • falta de reconhecimento;
  • ausência de suporte;
  • isolamento;
  • metas incompatíveis com os recursos disponíveis.

Nenhum elemento deve ser analisado isoladamente.

🔍 O mesmo fator pode ser vivido de formas diferentes

Uma mesma exigência pode produzir experiências diferentes dependendo de:

  • recursos disponíveis;
  • autonomia;
  • suporte;
  • experiência;
  • relações;
  • reconhecimento;
  • contexto.

Por isso, a análise psicossocial não funciona como uma simples lista de fatores.

🧠 Saúde mental no trabalho

Pensar saúde mental relacionada ao trabalho envolve observar:

  • condições concretas;
  • organização;
  • relações;
  • autonomia;
  • reconhecimento;
  • cooperação;
  • possibilidade de ação;
  • sentido atribuído ao trabalho.

📊 Sinais de sofrimento

Podemos encontrar manifestações como:

  • exaustão;
  • irritabilidade;
  • ansiedade;
  • alterações do sono;
  • dificuldade de concentração;
  • desmotivação;
  • sensação de impotência;
  • afastamento;
  • conflitos;
  • perda de sentido.

Mas sinais não são, por si só, diagnósticos nem comprovam causalidade.

⚠️ A armadilha da "resiliência"

Quando um trabalhador sofre, podemos oferecer:

  • "treinamento de resiliência";
  • "gestão emocional";
  • "mindfulness";
  • "gestão do estresse".

Essas estratégias podem ter utilidade.

Mas existe uma pergunta anterior:

O que está produzindo o estresse?

🤲 Cuidar da pessoa e transformar o contexto

Uma Psicologia comprometida com a saúde mental relacionada ao trabalho precisa trabalhar em duas direções:

Cuidar do sujeito

  • acolher;
  • escutar;
  • orientar;
  • fortalecer recursos.

Olhar para o contexto

  • compreender a organização;
  • identificar problemas;
  • analisar relações;
  • pensar possibilidades de transformação.
═══ PARTE VII — O OLHAR DA PSICOLOGIA ═══

🔄 Da queixa à demanda

Uma pessoa pode chegar dizendo:

"Eu não aguento mais meu trabalho."

A queixa é importante. Mas precisamos transformá-la em uma demanda compreensível.

❓ Perguntas para investigar

  • O que está acontecendo?
  • Quando começou?
  • O que mudou?
  • Como é a rotina?
  • Quais são as exigências?
  • Que autonomia existe?
  • Como é a relação com colegas e gestores?
  • Existe reconhecimento?
  • Existem recursos?
  • O que a pessoa consegue transformar?
  • O que está fora de seu alcance?

🔄 Mudar o foco

De:

"Por que essa pessoa não consegue lidar com o trabalho?"

Para:

"Que trabalho está sendo exigido dessa pessoa, em quais condições e com quais recursos?"

Essa mudança de olhar é fundamental.

🧠 Uma leitura psicossocial

CONTEXTO SOCIAL
↓ ORGANIZAÇÃO
↓ RELAÇÕES DE TRABALHO
↓ ATIVIDADE
↓ SUJEITO
↓ EXPERIÊNCIA / SOFRIMENTO
↓ FORMAS DE ENFRENTAMENTO
↓ SAÚDE OU ADOECIMENTO

Não é uma relação linear. É uma rede de relações.

═══ PARTE VIII — ESTUDO DE CASO ═══

📋 Caso: "Ela precisa dar conta"

Uma trabalhadora procura atendimento relatando:

  • cansaço constante;
  • irritabilidade;
  • dificuldade de concentração;
  • sensação de incompetência;
  • ansiedade antes de iniciar o expediente;
  • vontade de abandonar o emprego.

A empresa oferece um treinamento de: "Gestão emocional e resiliência".

🔍 Primeira leitura

O que poderíamos pensar inicialmente?

  • falta de organização;
  • baixa tolerância à pressão;
  • ansiedade;
  • dificuldade de adaptação;
  • baixa resiliência.
Mas será que essa leitura é suficiente?

🔍 Segunda leitura

Vamos investigar:

Como o trabalho está organizado?

  • jornada;
  • ritmo;
  • metas;
  • autonomia;
  • controle;
  • pausas;
  • recursos;
  • relações;
  • reconhecimento;
  • segurança;
  • possibilidade de diálogo.

🔄 O que mudou?

A pergunta deixou de ser:

"O que há de errado com ela?"

E passou a ser:

"O que está acontecendo entre ela e o trabalho que realiza?"

Essa é uma mudança de perspectiva.

✏️ Atividade em grupos — Analisem o caso

Identifiquem:

  1. Elementos da organização do trabalho.
  2. Possíveis fontes de sofrimento.
  3. Estratégias utilizadas pela trabalhadora.
  4. Fatores de proteção.
  5. O que poderia ser transformado?
  6. Qual poderia ser o papel da Psicologia?

💬 Socialização

Para discutir coletivamente:

Se a intervenção for exclusivamente sobre a trabalhadora, o que pode ficar invisível?

E: Se olharmos apenas para a organização, o que também podemos deixar de considerar?

O desafio é construir uma leitura que articule sujeito e contexto.

═══ PARTE IX — DA AULA À EXTENSÃO ═══

🔍 Por que isso importa para nossa prática?

A prática extensionista trabalhará com população adulta da Clínica-Escola, prioritariamente com demandas relacionadas ao trabalho.

Os estudantes deverão desenvolver:

  • escuta;
  • análise da demanda;
  • compreensão do contexto;
  • psicoeducação;
  • orientação;
  • promoção da saúde mental;
  • fortalecimento da autonomia e dos direitos.

A prática não substitui psicoterapia ou estágio clínico.

🚫 O que não queremos fazer

Não queremos transformar toda experiência de sofrimento em:

  • diagnóstico;
  • inadequação individual;
  • falta de resiliência;
  • problema de personalidade;
  • incapacidade de adaptação.

Queremos compreender.

✅ O que queremos aprender a fazer

  • Escutar o sofrimento sem individualizá-lo.
  • Analisar o trabalho sem reduzir a pessoa ao seu trabalho.
  • Compreender a relação entre sujeito e contexto.
  • Identificar possibilidades de cuidado e transformação.

➡️ A pergunta que levamos para a Aula 7

Hoje perguntamos:

Como a organização do trabalho pode produzir sofrimento?

Na próxima aula:

Quais fatores psicossociais estão envolvidos e como podemos prevenir o adoecimento relacionado ao trabalho?

E depois:

Como transformar esse conhecimento em análise e intervenção?

🎯 Síntese da aula

Trabalho
não é apenas execução de tarefas.
↓ Organização do trabalho
define condições, relações, ritmos, controles e possibilidades de ação.
↓ Trabalho real
exige inteligência, experiência, corpo e criatividade.
↓ Sofrimento
surge na relação entre sujeito e realidade do trabalho.
↓ Estratégias defensivas
podem proteger, mas também podem ocultar problemas.
↓ Coletivo
cooperação e reconhecimento podem funcionar como proteção.
↓ Psicologia
precisa olhar para o sujeito e as condições em que ele trabalha.

🧠 Mapa mental

Organização do Trabalho, Sofrimento Psíquico e Saúde Mental

ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO, SOFRIMENTO PSÍQUICO E SAÚDE MENTAL
├── 1. TRABALHO │ ├── Trabalho prescrito │ ├── Trabalho real │ └── Atividade │ ├── 2. ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO │ ├── Tarefas │ ├── Ritmos │ ├── Controle │ ├── Hierarquia │ ├── Avaliação │ └── Relações de poder │ ├── 3. DEJOURS │ ├── Trabalho real │ ├── Realidade que resiste │ ├── Mobilização │ ├── Sofrimento │ ├── Estratégias defensivas │ ├── Cooperação │ └── Reconhecimento │ ├── 4. SOFRIMENTO │ ├── Experiência subjetiva │ ├── Relação sujeito–trabalho │ ├── Pode mobilizar │ └── Pode tornar-se patogênico │ ├── 5. SAÚDE MENTAL │ ├── Autonomia │ ├── Reconhecimento │ ├── Cooperação │ ├── Sentido │ └── Possibilidade de agir │ ├── 6. OLHAR PSICOSSOCIAL │ ├── Sujeito │ ├── Atividade │ ├── Organização │ ├── Relações │ └── Contexto │ └── 7. PSICOLOGIA ├── Escutar ├── Contextualizar ├── Analisar demandas ├── Cuidar ├── Prevenir └── Transformar

📚 Referências

Referência principal

  • DEJOURS, Christophe. A loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho. 5. ed. ampliada. São Paulo: Cortez/Oboré, 1997.

Leitura central: Capítulo 2 — "Que sofrimento?"

Leitura complementar: Capítulo 1 — "As estratégias defensivas".

Texto complementar

  • DEJOURS, Christophe. Subjetividade, trabalho e ação. Revista Produção, v. 14, n. 3, p. 27–34, 2004.

Documento da disciplina

  • PRÁTICA DE EXTENSÃO — DIREITOS HUMANOS, JUSTIÇA E TRABALHO. Ementa e cronograma 2026-2.
📘 Aula 6 — Organização do Trabalho, Sofrimento Psíquico e Saúde Mental · Psicologia e Direitos Humanos
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